Tudo sobre agroquímicos: importância, aplicações e benefícios

Agroquímicos, também chamados de defensivos agrícolas químicos, agrotóxicos – termo utilizado pela legislação brasileira –, pesticidas, praguicidas ou produtos fitossanitários, são substâncias utilizadas na agricultura para proteger as plantas contra as infestações de pragas, doenças e plantas daninhas. A classificação do agroquímico é feita de acordo com o alvo biológico que ele controla, mecanismo de ação, ou função agronômica.

agroquímicos

A importância dos agroquímicos na agricultura

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estima que 20 a 40% da produção agrícola mundial é perdida a cada ano em razão de pragas que atingem as plantações. No Brasil, a ação de pragas causa perdas de aproximadamente 7,7% da produção agrícola anual, o que corresponde a cerca de 25 milhões de toneladas de alimentos.

Por terem como principal função a proteção das culturas agrícolas, uma vez que as protegem contra pragas e doenças que afetam a produção, os agroquímicos têm importância crucial para a preservar e assegurar a produção agrícola em sua excelência. Assim, a utilização dos agroquímicos ajuda a manter a produtividade e a qualidade da colheita e, como consequência, garantem volume de alimentos.

Tipos de agroquímicos

Existem diferentes agroquímicos, cada um utilizado para controlar alvos biológicos específicos, como pragas, doenças ou plantas daninhas. São subdivididos em inseticidas, herbicidas, fungicidas, acaricidas e nematicidas.

Inseticidas

Inseticidas são um tipo de agroquímico que têm como função reduzir a população de insetos-praga abaixo do nível de dano produtivo-econômico. Os inseticidas podem ser classificados de várias maneiras, com base em seu grupo químico, ação toxicológica ou mecanismo de ação no inseto. Para garantir um controle efetivo dos insetos-praga, os inseticidas químicos atuam por diferentes vias de exposição: contato, ingestão e inalação.

Herbicidas

Herbicidas são um tipo de agroquímicos específicos para o controle de plantas daninhas. São agentes de origem química, usados para inibir o crescimento ou eliminar plantas indesejadas, que competem com as culturas por luz, água e nutrientes.. São utilizados em ambientes agrícolas, florestais, silvestres e aquáticos.

Uma das principais vantagens dos herbicidas químicos em relação ao controle mecânico de plantas daninhas é a praticidade na aplicação, que reduz a demanda por mão de obra e pode gerar ganhos operacionais e econômicos.

Fungicidas

Fungicidas são agroquímicos utilizados para prevenir, controlar ou eliminar fungos fitopatogênicos que causam doenças em plantas, as quais interferem na produtividade agrícola e a qualidade das culturas.

Acaricidas

Acaricidas são agroquímicos destinados ao controle de ácaros fitófagos que atacam culturas agrícolas. Estes produtos apresentam diferentes princípios ativos e mecanismos de ação diversos, por isso, são escolhidos de acordo com a espécie de ácaro e a cultura a ser protegida.

Nematicidas

Nematicidas são produtos, químicos ou biológicos, utilizados para o controle de nematoides, vermes microscópicos que vivem no solo e podem prejudicar o desenvolvimento ou comprometer a saúde das plantas. Assim, nematicidas têm importante papel na prevenção de perdas na produção agrícola e melhoria da saúde das plantas e do solo.

Produtos para Tratamento de Sementes

São considerados produtos para tratamento de sementes todos os produtos, aplicados diretamente nas sementes, com o objetivo de protegê-las contra pragas e doenças nas fases iniciais do desenvolvimento da planta. Algumas das categorias de agroquímicos citadas anteriormente — como inseticidas, fungicidas e nematicidas — podem ser utilizadas nesse processo, atuando na prevenção de perdas e no estabelecimento de lavouras mais saudáveis e produtivas.

Aplicações dos agroquímicos nas plantações brasileiras

Aplicações dos agroquímicos nas plantações brasileiras

A aplicação de agroquímicos nas lavouras brasileiras é realizada com o objetivo de controlar pragas, doenças e plantas daninhas, garantindo o bom desenvolvimento das culturas e mantendo altos níveis de produtividade das culturas. Esses produtos podem ser aplicados por diferentes métodos, como pulverização, fumigação ou aplicação em pó. No Brasil, os agroquímicos são aplicados principalmente em culturas como a soja, milho e cana-de-açúcar, devido expressiva participação na produção e exportação agrícola nacional. No entanto, é importante lembrar que há disponível no mercado agroquímicos para os mais diversos tipos de cultivos.

Aplicador Legal

A capacitação dos agricultores é fundamental para que os agroquímicos sejam utilizados de forma eficiente, minimizando riscos de contaminação, desperdício e impactos negativos às pessoas e ao planeta.

Por isso, a CropLife Brasil desenvolveu o curso “Boas Práticas Agrícolas – Aplicador Legal” voltado para produtores que aplicam defensivos químicos e biológicos no Brasil. O curso é baseado no conteúdo programático definido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e consiste no treinamento para capacitação do trabalhador quanto ao uso correto e seguro de defensivos agrícolas e habilitação ao exercício da atividade, concedendo registro de aplicadores de defensivos agrícolas e afins, nos Órgãos de Agricultura dos Estados e do Distrito Federal, conforme previsto no Programa Nacional de Habilitação de Aplicadores de Agrotóxicos (Aplicador Legal) oriundo do Decreto n.º 10.833/2021.

O Aplicador Legal tem como principais objetivo:

  • Treinar profissionais do campo para a capacitação de aplicadores de defensivos e afins quanto ao uso correto e seguro desses produtos;
  • Aumentar a segurança no transporte desses produtos, desde a revenda até a propriedade rural;
  • Aumentar a segurança no armazenamento de defensivos na propriedade rural; e
  • Reduzir impactos ao meio ambiente advindos do mau uso dos defensivos e afins.

Benefício do uso de agroquímicos

Por ajudarem a proteger a planta e o solo, os agroquímicos têm como principal benefício a garantia do potencial produtivo das culturas, evitando perdas causadas por pragas, doenças e plantas daninhas, e contribuindo para colheitas mais abundantes e de maior qualidade.

Com a expansão das áreas cultivadas e o avanço das tecnologias no campo, os agroquímicos evoluíram significativamente. Tornaram-se mais modernos, eficientes e seletivos — apresentando menor toxicidade, menor persistência no ambiente e sendo utilizados em doses cada vez menores. Essa evolução é resultado direto do investimento contínuo em pesquisa e inovação.

Assim, os agroquímicos colaboram com o avanço da sustentabilidade e inovação no campo, mantendo a abundância da colheita e cada vez mais alinhado com a agenda global por mais sustentabilidade.

 Benefício do uso de agroquímicos

Dúvidas frequentes

Os agroquímicos fazem mal à saúde?

Não. Os agroquímicos passam por rigorosos processos de avaliação toxicológica antes de serem aprovados. Durante o cultivo, esses produtos são aplicados conforme as Boas Práticas Agrícolas (BPAs) e respeitando o intervalo de segurança — ou seja, o tempo mínimo entre a última aplicação do produto e a colheita — o que garante que eventuais resíduos nos alimentos estejam dentro de níveis seguros para o consumo humano.

Mesmo quando resíduos são detectados, eles geralmente estão abaixo dos Limites Máximos de Resíduos (LMRs), que não indicam toxicidade, mas sim o uso adequado do produto conforme a bula. Excedentes pontuais não significam, por si só, risco à saúde — o que realmente importa é a avaliação do risco dietético, que considera a quantidade efetivamente consumida ao longo do tempo. Ou seja, não é a presença do resíduo que define o risco, mas sua dose, frequência e contexto de exposição.

Entre 2013 e 2023, a Anvisa analisou mais de 25 mil amostras de alimentos de origem vegetal e concluiu que não houve risco à saúde da população. Os alimentos avaliados representam cerca de 80% do que é consumido no Brasil, o que reforça que os produtos disponíveis no mercado são seguros para o consumidor.

É possível produzir sem agroquímicos?

Em produções agrícolas de larga escala, não é viável abrir mão do uso de agroquímicos e outros insumos essenciais para a proteção das lavouras. Pragas, doenças e plantas daninhas estão entre as principais causas de perdas no campo, e sem medidas eficazes de controle, a produtividade das culturas seria drasticamente reduzida.

Para alimentar uma população mundial em crescimento e garantir a segurança alimentar, o uso responsável e tecnicamente orientado de agroquímicos continua sendo fundamental para manter a oferta de alimentos em quantidade, qualidade e preços acessíveis.

Como os agroquímicos afetam o meio ambiente?

O uso correto e seguro de defensivos agrícolas é essencial para garantir a produtividade das lavouras, a proteção da saúde humana e a preservação do meio ambiente. É pensando nisso que a CropLife Brasil promove as Boas Práticas Agrícolas (BPA) e a habilitação de agricultores e aplicadores de defensivos. Estudos e testes ambientais são exigidos e avaliados pelo IBAMA, visando assegurar que nenhum dano será causado na fauna e flora quando utilizados.

Os alimentos que consumimos têm resíduos de agroquímicos?

Alimentos produzidos com o uso correto de agroquímicos podem, eventualmente, conter resíduos, mas em níveis seguros para o consumo humano. Esses resíduos são amplamente estudados e monitorados por órgãos reguladores, como a Anvisa.

A presença de resíduos dentro do LMR é considerada segura. O importante é reforçar que o sistema regulatório brasileiro conta com mecanismos robustos para proteger o consumidor e garantir a segurança dos alimentos.

Os agroquímicos serão substituídos pelos bioinsumos?

Não. Os bioinsumos estão cada vez mais presentes nas lavouras brasileiras e do mundo, mas não é possível que eles substituam os agroquímicos. O que será cada vez mais comum é o Manejo Integrado de Pragas (MIP), estratégia que envolve a combinação de diferentes ferramentas, como os defensivos agrícolas (produtos biológicos e defensivos químicos), maquinários e técnicas de manejo cultural.

Quem regulamenta e fiscaliza os agroquímicos no Brasil?

A regulamentação dos agrotóxicos e afins compreende um processo bastante rigoroso. No Brasil, a principal legislação sobre o tema é a Lei 14.785, de 2023, que deixa essa regulamentação e fiscalização a cargo do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Ministério da Saúde – por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) –, e Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama).

A atuação da CropLife Brasil na promoção do uso responsável de agroquímicos

Pensando em colaborar com a formação de aplicadores de defensivos e cumprir exigências do Mapa, a CropLife Brasil promove o curso Aplicador Legal, um treinamento para capacitação do trabalhador quanto ao uso correto e seguro de defensivos agrícolas e habilitação ao exercício da atividade, concedendo registro de aplicadores de defensivos agrícolas e afins, nos Órgãos de Agricultura dos Estados e do Distrito Federal.

O uso correto e seguro de defensivos agrícolas é essencial para garantir a produtividade das lavouras, a proteção da saúde humana e a preservação do meio ambiente. A capacitação dos agricultores é fundamental para que esses produtos sejam utilizados de forma eficiente, minimizando riscos de contaminação, desperdício e impactos negativos às pessoas e ao planeta. Além disso, compreender a legislação vigente, utilizar corretamente os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e seguir as boas práticas agrícolas (BPAs) contribui para uma produção mais sustentável e responsável. Investir no conhecimento dos aplicadores é investir na segurança, na qualidade dos alimentos e na sustentabilidade do setor agrícola.

O Programa Aplicador Legal está disponível no CropLife Conecta e tem 12 módulos de conteúdos em formato de vídeos e materiais para leitura. Pode ser acessado através de qualquer dispositivo e concluído em até 3 horas.

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