Soluções Tecnológicas Integradas impulsionam recuperação de pastagens degradadas

Em workshop técnico promovido pela CropLife Brasil e IICA, especialistas discutem como a integração pode ampliar o potencial agrícola do país.

Painel foi moderado por Patrícia Santos (Embrapa) e contou com a participação de Aryeverton Fortes de Oliveira (Embrapa), ), Carlos Ernesto Augustin (Mapa), Francisco Matturro (ILPF), José Amaral e Vanessa Bomm (produtores rurais) Crédito fotos: Gilberto Soares/ CLB

O primeiro painel do Workshop Técnico sobre Recuperação Produtiva de Pastagens: Integração de Soluções Tecnológicas e Instrumentos Financeiros, promovido pela CropLife Brasil (CLB) em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) na manhã desta quarta-feira (13), teve como temática “Soluções Tecnológicas Integradas”. Realizado no contexto da agenda do setor para a COP30, o debate reuniu representantes do poder público, da indústria e produtores rurais para discutir sobre alternativas disponíveis e como são aplicadas na lavoura.

Ao introduzir o assunto, a pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Patrícia Santos, explicou que o Brasil tem um grande estoque de tecnologias que podem ser aplicadas na transformação de pastagens degradadas, mas é necessário fazer um esforço para reunir essas informações e facilitar o acesso delas pelos produtores rurais. “A Embrapa faz um esforço muito interessante de tentar reunir essas informações e esse trabalho precisa ser estendido. É fundamental sistematizar essas informações, vinculando o diagnóstico das pastagens com as tecnologias que podem ser adotadas por região, por perfil de produtor, agregando informações sobre viabilidade econômica e risco”, disse a moderadora do painel.

Ao analisar o potencial de pastagens degradadas, o assessor especial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Ernesto Augustin, afirmou que o Brasil registrou um alto crescimento agrícola sem que houvesse a necessidade de expandir áreas de produção. E isso foi possível graças à recuperação dessas áreas. “O Brasil cresce hoje um milhão de hectares por ano. Isso representa um Uruguai por ano. Temos esse crescimento sem dinheiro extra. Com investimentos, podemos crescer até mais dois milhões de hectares por ano. Então, em termos de volume de produção, nosso futuro é glorioso. Agora, precisamos fazer enormes esforços em termos de sustentabilidade para termos um produto excelente”, pontuou. O assessor do Mapa explicou que o objetivo da agricultura nacional é “não desmatar, aproveitar o que tem, produzir muito mais e, de preferência, com selos de sustentabilidade. É dentro disso que devemos debater as iniciativas”.

Segundo o especialista da Embrapa, Aryeverton Fortes de Oliveira, para que isso aconteça é necessário desenvolver indicadores de sustentabilidade mais modernos. “Na Embrapa, nós temos trabalhado muito para produzir indicadores para a avaliação de risco, com a certificação de carbono, que são essenciais para os mercados de crédito de carbono. A gente precisa fazer essas quantificações evoluírem junto com as iniciativas de integração tecnológicas e de soluções que estão no dia a dia do produtor”, complementou.

Levar essas soluções tecnológicas para o campo é outro desafio. O presidente executivo da Rede Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), Francisco Matturro, explicou o que é necessário para fazer com que isso aconteça: “os desafios são gigantescos e nós temos hoje uma extensão rural no Brasil, de certa forma, deficiente. Não precisamos de mais extensão rural, precisamos de técnicos que irão levar para o campo as tecnologias que as pesquisas desenvolvem”.

Para exemplificar como o produtor rural utiliza a tecnologia agrícola para recuperação de pastagens degradadas, o painel contou com a participação da produtora rural Vanessa Bomm. “As práticas mais sustentáveis e regenerativas para produtividade de grãos, e que estamos aplicando na região oeste do Paraná, são as de intensificação do manejo com plantas de cobertura, rotação de culturas, usando mais tipos de raízes, adubação verde, bioinsumos e biotecnologia. Tudo isso faz com que nosso solo esteja sempre protegido e tenhamos mais produtividade dentro da mesma área de terra, apesar dos desafios climáticos que estamos passando”, argumentou.

Todas essas ações demonstram como os produtores rurais já estão alinhados com as demandas globais de sustentabilidade, como ressaltou o produtor rural José Amaral. O maior desafio, segundo ele, é difundir informações sobre como conquistar os selos de certificação de sustentabilidade para comprovar o trabalho que já aplicam nos campos. “As soluções, tecnologias e os selos certificadores de sustentabilidade precisam de informações claras e de fácil acesso para o produtor rural. A jornada da gestão, muitas vezes, vai fazer com que toda essa certificação seja obtida de uma forma mais rápida, porque os produtores rurais já cumprem diversos requisitos legais. Falta pouquíssimo para que nós consigamos provar, como país, nosso compliance ambiental e o que mais podemos agregar à agenda de sustentabilidade”, finalizou.

O encontro tem como objetivo construir documento setorial com orientações, contribuições e recomendações alinhadas ao uso correto e sustentável do campo. O seminário consolida a primeira entrega, dentro do pacote de compromissos firmado entre a CropLife Brasil e o IICA com a agenda do clima, no contexto da COP30 a ser realizada novembro em Belém, Pará.

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